
Funcionária denuncia assédio moral, perseguição e desligamento sem justificativa após período de destaque profissional
A demissão de uma bancária que atuava como gerente administrativa em uma agência do Bradesco em Itacaré tem gerado questionamentos sobre a forma como a instituição conduz a gestão de pessoas e o tratamento dispensado aos seus funcionários.
Com oito anos de atuação no banco e mais de um ano exercendo a função de gerente administrativa, a trabalhadora afirma ter sido vítima de perseguição profissional, assédio moral e falta de apoio por parte de sua chefia após a mudança para uma nova regional.
Segundo a bancária, as dificuldades começaram com a chegada de um novo gestor, o GAL, que se recusava a orientar suas atividades e frequentemente a tratava de forma desrespeitosa. Ela relata que, sempre que buscava esclarecimentos sobre procedimentos administrativos, recebia respostas evasivas ou era orientada a procurar ajuda com outros colegas.
Além das responsabilidades administrativas, a funcionária afirma que também era cobrada por metas comerciais, acumulando funções e realizando jornadas que frequentemente ultrapassavam o horário normal de trabalho. De acordo com o relato, a situação gerava horas extras constantes, enquanto os empregados eram pressionados a aderir a acordos de compensação de jornada.
A bancária também denuncia que enfrentou condições de trabalho inadequadas e problemas relacionados à sua saúde. Asma, dores na coluna e acompanhamento psicológico e psiquiátrico fazem parte da realidade relatada pela trabalhadora, que associa o agravamento do seu quadro ao ambiente de pressão vivenciado no banco.
Mesmo diante das dificuldades, a funcionária afirma que conseguiu recuperar os indicadores da agência onde atuava. Segundo ela, a unidade alcançou posição de destaque nos resultados da regional, e seu desempenho chegou a ser reconhecido por gestores de outras localidades.
Poucos dias antes da demissão, a bancária recebeu uma proposta de transferência para uma unidade considerada inferior na estrutura organizacional do banco. Na avaliação dela, a medida representava um rebaixamento profissional disfarçado de oportunidade de aprendizado.
A situação ganhou contornos ainda mais graves quando ocorreu o desligamento. Conforme relata, ela não recebeu qualquer explicação formal sobre os motivos da demissão. A comunicação teria sido feita por intermédio do gerente-geral da agência, enquanto o gestor responsável não entrou em contato diretamente em nenhum momento.
“Quando o gerente chegou à minha mesa com a documentação, eu já tinha entendido o recado”, relata a bancária.
A trabalhadora afirma possuir mensagens, documentos, laudos médicos e gravações que podem ajudar a comprovar os episódios denunciados. Entre os materiais, estariam registros de situações que, segundo ela, demonstram práticas de assédio moral e tratamento incompatível com o respeito esperado em uma relação profissional.
O caso reforça denúncias recorrentes apresentadas por trabalhadores do setor bancário em todo o país, envolvendo pressão excessiva, adoecimento mental e práticas de gestão consideradas abusivas.
Até o momento, o Bradesco não apresentou publicamente esclarecimentos sobre as acusações nem sobre os motivos que levaram à demissão da funcionária de Itacaré.






