Bancários da Bahia e Sergipe aprovam estado de greve e intensificam mobilização

Bancários da Bahia e Sergipe aprovam estado de greve e intensificam mobilização

27.8.26 plenaria base 425f5

Bancárias e bancários da Bahia e de Sergipe aprovaram o estado de greve durante plenária realizada na quinta-feira (27/8). A mobilização poderá avançar para uma paralisação a partir da próxima semana, caso a Federação Nacional dos Bancos (FENABAN) não apresente uma proposta adequada na última rodada de negociação, marcada para esta sexta-feira, 28 de agosto.

A decisão foi apresentada pela Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe como parte da estratégia de pressionar os bancos e garantir avanços na campanha salarial nacional. Durante a plenária, a presidente da FEBBASE, Andreia Sabino explicou que o estado de greve depende do cumprimento dos procedimentos jurídicos e não representa, por si só, a paralisação imediata das atividades.

“Nessa plenária, todos os bancários que estão participando ficam cientes que estaremos entrando em estado de greve a partir de segunda-feira, caso amanhã, na última rodada de negociação, a FENABAN não nos atenda.”

Segundo Andreia , a orientação foi construída com base em parecer jurídico e busca garantir legitimidade política e legal para os próximos passos da categoria. A plenária teve como objetivo informar os trabalhadores, organizar a mobilização e preparar a categoria para uma possível greve.

A campanha salarial já contabiliza 12 rodadas de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a FENABAN. A minuta de reivindicações foi entregue aos bancos em 24 de junho, mas, até o momento, as propostas apresentadas foram consideradas insuficientes pelas entidades sindicais.

As propostas apresentadas pelos bancos incluem reajustes abaixo da inflação, congelamento do piso de ingresso e da PLR, além de alterações ou exclusões de verbas e benefícios previstos na Convenção Coletiva de Trabalho.

Na primeira proposta, a FENABAN ofereceu reajuste de 2,06%, percentual correspondente a cerca de metade da inflação e que representaria perda real estimada em 1,99%. Em seguida, os bancos apresentaram reajuste de 2,57%, equivalente a aproximadamente 62% da inflação, com perda real estimada em 1,50%.

Entre os pontos rejeitados pela categoria estão o congelamento do piso de ingresso e da PLR, a retirada de gratificações, a exclusão da ajuda de deslocamento noturno e mudanças em benefícios destinados aos trabalhadores.

A Federação afirma que o Comando Nacional mantém posição unificada contra qualquer proposta que represente redução do poder de compra ou retirada de direitos. Andreia Sabino destacou que todas as entidades que compõem o comando estão alinhadas na defesa de um acordo que não imponha perdas à categoria.

Os dados apresentados durante a plenária indicam que o sistema bancário possui condições financeiras para atender às reivindicações dos trabalhadores. Em 2025, os bancos teriam registrado lucro líquido de R$ 182,4 bilhões, enquanto os cinco maiores bancos alcançaram lucro conjunto de R$ 124 bilhões.

A Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe também confirmou apoio à construção de um movimento grevista articulado nacionalmente. A estratégia é buscar a adesão de outras entidades para evitar uma paralisação isolada e ampliar a pressão sobre a FENABAN.

Durante a plenária, os dirigentes sindicais reforçaram que a greve será uma resposta à ausência de avanços nas negociações. A categoria deverá acompanhar o resultado da rodada desta sexta-feira e participar das assembleias convocadas pelos sindicatos.

Andreia Sabino afirmou que os trabalhadores estão preparados para rejeitar uma proposta considerada insuficiente e avançar na mobilização caso a FENABAN não mude sua posição.
“Vamos sim pra greve caso a FENABAN não apresente uma proposta minimamente respeitável à categoria.”, disse ela.

A Federação orienta bancárias e bancários a acompanharem os informes oficiais e a participarem das atividades organizadas pelos sindicatos. Os próximos passos da campanha salarial serão definidos a partir do resultado da negociação e da deliberação da categoria em assembleia.

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