
Os funcionários do Banco do Brasil das bases que voltaram às urnas neste domingo (13/9) aprovaram a proposta para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). As assembleias foram realizadas após a plenária promovida pela Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase) e sindicatos, que avaliou o cenário nacional das negociações e orientou pela aprovação do acordo.
Participaram da nova votação os funcionários das bases da Bahia, Camaçari, Extremo Sul da Bahia, Feira de Santana, Ilhéus e Região, Irecê e Região, Juazeiro e Região e Oeste da Bahia, que haviam rejeitado a proposta nas assembleias realizadas na sexta-feira (11/09).
A decisão deste domingo acontece em um cenário diferente do observado no início do mês. Nas primeiras assembleias, realizadas nos dias 3 e 4 de setembro, a proposta do Banco do Brasil havia sido rejeitada por cerca de 70% das assembleias em todo o país. A mobilização levou à retomada das negociações, mas o banco não apresentou novos itens e manteve a proposta, fazendo apenas esclarecimentos sobre pontos que ainda geravam dúvidas entre os trabalhadores.
Na nova rodada de assembleias, realizada nos dias 10 e 11 de setembro, o cenário nacional se inverteu. Até sexta-feira, 116 bases sindicais já haviam aprovado o acordo e apenas 18 ainda não tinham aprovado, sendo oito delas na Bahia. Diante da aceitação pela ampla maioria das bases do país, ficou reduzida a capacidade de pressão das bases que mantinham a rejeição para forçar uma nova negociação com o BB.
Na Bahia e Sergipe, cinco bases já tinham aprovado a proposta na sexta-feira: Sergipe, Itabuna e Região, Jacobina e Região, Jequié e Região e Vitória da Conquista e Região. Outras oito bases mantiveram a rejeição e realizaram uma nova assembleia neste domingo.
A Federação avaliou que o acordo continua insatisfatório e está distante das reivindicações apresentadas pelos funcionários durante a Campanha Nacional 2026. No entanto, diante do cenário nacional, a aprovação passou a ser considerada a alternativa menos prejudicial para os trabalhadores, evitando o isolamento das bases que ainda mantinham a greve e a perda de força para uma eventual retomada das negociações.
Confira os resultados das assembleias deste domingo:
Sindicato da Bahia – Aprovação: 66,6% | Reprovação: 33,4%
Sindicato de Camaçari – Aprovação: 66,67% | Reprovação: 33,33%
Sindicato do Extremo Sul da Bahia – Aprovação: 65,71% | Reprovação: 26,67% | Abstenção: 7,62%
Sindicato de Feira de Santana – Aprovação: 69,66% | Reprovação: 28,09% | Abstenção: 2,25%
Sindicato de Ilhéus e Região – Aprovação: 70,00% | Reprovação: 26,00% | Abstenção: 4,0%
Sindicato de Irecê e Região – Aprovação: 75,81% | Reprovação: 19,35% | Abstenção: 4,84%
Sindicato de Juazeiro e Região – Aprovação: 70,91% | Reprovação: 23,64% | Abstenção: 5,45%
Sindicato do Oeste da Bahia – Aprovação: 72,73% | Reprovação: 23,38% | Abstenção: 3,89%
O que prevê a proposta
Entre os pontos previstos no acordo está o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Para as bases que assinarem o ACT, o Banco do Brasil informou que o crédito será realizado em até 72 horas após a assinatura. Nas negociações anteriores, o banco havia informado que, nas bases que não assinassem o acordo neste momento, não haveria o adiantamento da PLR em setembro, com o pagamento integral ficando para março de 2027.
A proposta também prevê o reconhecimento financeiro de R$ 3 mil aos funcionários enquadrados na Campanha de Adimplência 2026. O pagamento está previsto para fevereiro de 2027 e depende do cumprimento do indicador geral e das regras da campanha. A estimativa é de que cerca de 71,5 mil funcionários, das unidades de negócios e de apoio, estejam contemplados. O valor é adicional e não substitui a PLR.
Na Cassi, o Banco do Brasil propõe a antecipação de R$ 360 milhões da contribuição patronal ao Plano de Associados. Em relação à carreira, o banco assumiu o compromisso de realizar estudos para revisão dos critérios do Plano de Carreira e Remuneração (PCR), com encaminhamento às instâncias de governança até o fim do primeiro semestre de 2027.
O acordo prevê ainda a ampliação da licença-paternidade de 20 para 35 dias, além de reajuste de 15% no auxílio para filhos com deficiência, que passa de R$ 760,48 para R$ 874,55, antes da aplicação do reajuste geral da campanha.
Para os funcionários da Central de Relacionamento e do SAC, está previsto salário de referência de R$ 6.302,77 a partir de janeiro de 2027, também antes da aplicação do reajuste geral.
Outros pontos incluem oito dias de afastamento pela formalização de união estável, ampliação para cinco jornadas anuais destinadas a reparos em equipamentos utilizados por funcionários com deficiência e políticas de ações afirmativas nos processos seletivos internos.
Com a aprovação nas assembleias, fica encerrada esta etapa da Campanha Nacional 2026 no Banco do Brasil. A mobilização dos funcionários durante todo o processo foi fundamental para demonstrar a insatisfação com a proposta e pressionar pela reabertura das negociações. Mesmo diante de um acordo considerado aquém das reivindicações da categoria, a unidade e a organização dos trabalhadores permanecem fundamentais para a defesa dos direitos e para as próximas lutas do funcionalismo do BB.





