NOTA DA CTB BANCÁRIOS – Mais diretorias, mais cargos e menos Saúde Caixa?

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NOTA DA CTB BANCÁRIOS – Mais diretorias, mais cargos e menos Saúde Caixa?

Mais diretorias, mais cargos e menos Saúde Caixa?

A CTB Bancários manifesta sua profunda preocupação com a notícia de que a Caixa Econômica Federal solicitou autorização ao Governo Federal para ampliar sua estrutura administrativa, criando três novas diretorias, 13 superintendências nacionais e 39 gerências nacionais, medida que poderá representar um custo adicional da ordem de R$ 60 milhões por ano.

O fato causa estranheza porque ocorre justamente em um momento em que milhares de empregados da Caixa estão mobilizados em defesa do Saúde Caixa e pela revogação do teto estatutário de 6,5% que limita a participação da empresa no custeio do plano de saúde.

Ao longo dos últimos anos, trabalhadores da ativa e aposentados têm ouvido reiteradamente que a manutenção do teto seria necessária para garantir a sustentabilidade financeira da empresa e controlar despesas futuras. Entretanto, a mesma instituição que alega restrições para ampliar sua contribuição ao Saúde Caixa demonstra disposição para expandir significativamente sua estrutura de cargos de direção e assessoramento.

A CTB Bancários reconhece que a administração de uma empresa da dimensão da Caixa exige permanente aperfeiçoamento de sua estrutura organizacional. No entanto, é legítimo questionar quais são as prioridades da gestão. Para os empregados, parece contraditório que haja espaço para novas despesas administrativas enquanto permanece a recusa em enfrentar uma reivindicação histórica relacionada à saúde e à qualidade de vida dos trabalhadores que constroem diariamente os resultados do banco.

O Saúde Caixa não é um privilégio. Trata-se de uma conquista construída ao longo de décadas, baseada nos princípios da solidariedade, do mutualismo e da responsabilidade compartilhada entre empresa e trabalhadores. A manutenção do teto tem provocado crescente transferência de custos para os usuários do plano, ameaçando sua sustentabilidade social e comprometendo o acesso à assistência de milhares de famílias.

A derrubada da CGPAR 23 retirou um dos principais obstáculos que eram apontados para justificar restrições ao custeio dos planos de saúde das empresas estatais. Hoje, a permanência do teto de 6,5% decorre de uma opção inscrita no Estatuto da própria Caixa e que pode ser revista mediante decisão política e administrativa da empresa e de seu controlador.

Por isso, a CTB Bancários defende que a Caixa reveja suas prioridades e retome imediatamente o processo de negociação que tenha como objetivo prioritário a eliminação do teto estatutário do Saúde Caixa, preservando o modelo solidário do plano e garantindo tratamento digno aos empregados da ativa, aposentados e seus dependentes.

Fortalecer a empresa não pode significar apenas ampliar estruturas administrativas. É preciso valorizar os trabalhadores, o que significa proteger sua saúde, respeitar seus direitos e reconhecer que nenhuma instituição pública se fortalece quando seus empregados são chamados a pagar cada vez mais por um benefício que ajudaram a construir.

São Paulo, 17 de junho de 2026
CTB Bancários

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