Bradesco descumpre a CLT e a CCT dos bancários, denuncia Sindicato dos Bancários de Ilhéus

Ilhéus, 15 de janeiro de 2026 — O Sindicato dos Bancários de Ilhéus faz forte denúncia contra o Bradesco, a instituição financeira está descumprindo tanto a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) quanto a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária ao implantar um novo método de registro de ponto eletrônico que penaliza trabalhadores e abre espaço para burlas.

Na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, o Bradesco passou a exigir que o bancário registre seu ponto após chegar à sua mesa de trabalho, logar no sistema do banco, acessar um aplicativo e digitar credenciais, procedimento que pode levar vários minutos e posterga formalmente o início da jornada de trabalho.

De acordo com o artigo 4º da CLT, “considera-se como de trabalho efetivo o tempo em que o empregado esteja à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, inclusive nos locais de trabalho e durante o tempo à disposição” isto é, o simples fato de entrar na agência e estar à disposição para começar a trabalhar já constitui o início da jornada laboral e deve ser registrado como tal.

Ao adiar o registro até que o funcionário realize uma série de etapas internas, o Bradesco subtrai tempo de trabalho efetivo do bancário, configurando não apenas ilegalidade trabalhista, mas também prejuízo financeiro e operacional ao trabalhador, que tem seus minutos de jornada não contabilizados.

O sistema implantado pelo banco vai na contramão do que prevê a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários, instrumento negociado e conquistado historicamente pela categoria e que regulamenta direitos como o controle de jornada e formas de marcação de ponto. A CCT é fruto de décadas de mobilização sindical e greves duríssimas que organizaram a profissão bancária no Brasil.

Iniciativas parecidas no passado como a histórica greve de 1979, que abriu caminho para a CCT unificada da categoria bancária mostraram que o controle correto da jornada de trabalho é conquista fundamental dos trabalhadores e não pode ser substituído por práticas que fragilizam seus direitos.

Bancários relatam que muitos gerentes frequentemente convocam funcionários logo após a chegada à agência para repassar metas ou tratar de assuntos de trabalho, situação que, segundo o próprio sindicato, abre brecha para burla e manipulação de registros de ponto.

Essa ameaça de burla era justamente uma das razões pelas quais o ponto eletrônico foi conquistado historicamente pela categoria: inclusive, antes da implantação generalizada do controle eletrônico, faltas e registros incorretos de jornada eram rotina em muitas agências, especialmente nas do Bradesco.

O Sindicato dos Bancários de Ilhéus repudia veementemente essa nova metodologia adotada pelo banco e considera que a prática viola frontalmente a CLT e a CCT da categoria, prejudicando os direitos dos trabalhadores e violando princípios básicos de proteção ao trabalho.

Em nota, a entidade sindical afirmou que busca união com outros sindicatos bancários em todo o país para adotar medidas jurídicas e coletivas contra o Bradesco, incluindo representações no Ministério Público do Trabalho (MPT) e ações em esfera judicial ou nas instâncias de negociação coletiva, a fim de restabelecer o cumprimento integral da legislação e das convenções coletivas.