27ª Conferência Nacional debateu temas importantes para a categoria

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A 27ª Conferência Nacional reuniu 629 bancários e bancárias de todo o Brasil entre sexta-feira e domingo (22 e 24/8), para debater temas como Brasil soberano e democrático; Inteligência Artificial impactos e regulação; Por um sistema financeiro a serviço do desenvolvimento; e novas tecnologias, reestruturação e transformações do emprego no ramo financeiro. Os temas são de grande relevância para a categoria, que vive um momento de transformação com fechamento de postos de trabalho.

Os bancários ligados à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) participaram ativamente de todos os debates, levando contribuições importantes para a construção de propostas que atendam aos interesses de toda a categoria.

Brasil Soberano

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A primeira mesa, na manhã deste sábado (23), contou com a presença do historiador e professor de Literatura Comparada, João Cezar de Castro Rocha, para debater os rumos da democracia e da soberania brasileira. Em sua fala, ele fez uma análise da conjuntura histórica e política, relacionando a formação estrutural de privilégios no Brasil, as novas táticas da extrema direita transnacional e a necessidade de vigilância permanente para evitar retrocessos. Segundo ele, o Senado será o campo estratégico em disputa nas eleições brasileiras de 2026. “O projeto da extrema direita é concentrar as forças no Senado. Porque se tiver maioria ali, a porta estará aberta para os retrocessos”, alertou.

Sistema Financeiro Nacional

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A necessidade de repensar o modelo do Sistema Financeiro Nacional (SFN) foi o foco do debate da mesa “Por um sistema financeiro a serviço do desenvolvimento”, apresentada pelo doutor em economia pela Unicamp e técnico do Dieese, Gustavo Cavarzan, e pelo doutor em Política Internacional e professor da FespSP, Moisés Marques. Com juros recordes, meta de inflação inalcançável e o desafio da soberania nacional, a pedido do movimento sindical bancário, os estudiosos avaliaram falhas no Sistema Financeiro Nacional e propuseram mudanças para que SFN sirva ao desenvolvimento do país, e não aos interesses do mercado.

Inteligência Artificial

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O debate sobre “Inteligência Artificial: impactos e regulação” foi o tema da terceira mesa de s sábado (23) e trouxe ao centro do debate um dos temas mais urgentes da atualidade: os impactos da inteligência artificial (IA) no mundo do trabalho e a necessidade de regulação para garantir a proteção de direitos. Com a presença de dirigentes sindicais e do assessor da Secretaria de Políticas Digitais da Presidência da República, Lucas Leffa, a discussão destacou que a tecnologia, embora inevitável, não é neutra e precisa ser disputada sob a perspectiva da democracia e da valorização do trabalho humano.

Thaise Mascarenhas, vice-presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, representante da CTB, trouxe o panorama das negociações já em andamento com a Fenaban, que resultaram na criação de um observatório e de uma mesa permanente para discutir os impactos da IA no setor financeiro. Ela destacou os riscos de demissões, fechamento de agências e pejotização. “Queremos acordos coletivos que assegurem que os trabalhadores não sejam substituídos ou terceirizados pela IA sem garantias de direitos”, pontuou.

Reestruturação

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Na mesa “Novas Tecnologias, reestruturação e transformação do emprego no ramo financeiro”, a última de sábado (23), as economistas Vivian Machado e Rosângela Vieira, do Dieese, trouxeram dados para ajudar o movimento sindical no debate sobre proteção dos direitos trabalhistas conquistados pela categoria. Impulsionados por investimentos recordes em IA, bancos veem seus lucros crescerem substancialmente, paralelamente fecham agências e terceiriza serviços; enquanto isso, sem as mesmas responsabilidades trabalhistas que os bancos, fintechs ganham espaço no SFN.

Diante de todas essas transformações, os lucros dos bancos do país continuam em expansão. Em doze meses, os cinco maiores bancos aumentaram seus lucros em R$ 126,7 bilhões, alta média de 18%. Por outro lado, desde 2016 o setor bancário fechou 6.700 agências (com redução de 30%). Os postos de trabalho também diminuíram, chegando a apenas 424 mil bancários, de um total de 1 milhão de trabalhadores no ramo financeiro.

Greve de 1985

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A 27ª Conferência Nacional dos Bancários abriu espaço também para comemoração. Para iniciar os trabalhos dedomingo (24), as secretarias de Cultura e de Formação da Contraf-CUT prepararam uma encenação da greve histórica de 11 e 12 de setembro de 1985. O movimento, que está completando 40 anos, conseguiu mobilizar mais de 500 mil bancários e bancárias em todo o país, travando sistema financeiro nacional, por mais dignidade, reajuste salarial e respeito aos direitos trabalhistas.