Encontro dos Funcionários do Itaú debate tecnologia e desafios da categoria

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O cenário político e econômico, os impactos da inteligência artificial na atividade bancária e questões relacionadas à saúde e às condições de trabalho foram os principais temas debatidos no Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú. O evento reuniu 86 bancários e bancárias de diversas partes do Brasil, no Hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo, nesta sexta-feira (22/8).

A abertura foi conduzida pela Coordenação da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú-Unibanco e por integrantes do Comando Nacional dos Bancários, que ressaltaram a importância da unidade e da organização da categoria diante dos desafios atuais.

A presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Andréia Sabino, destacou que o Encontro acontece em um momento muito delicado para a categoria bancária e todos brasileiros. “Com tantos ataques que estamos sofrendo, com tanto adoecimento e retirada de direitos, eles ainda conseguem um jeitinho, bem do jeito deles, de piorar ainda mais a situação. Então, é um momento realmente muito delicado, mas, ao mesmo tempo, é um momento muito importante para que a gente possa fazer a luta com ainda mais consciência. Acho que neste momento nós precisamos pensar em todas as categorias de trabalhadores brasileiros. É o momento que precisamos de muita união. Não temos que pensar em correntes diferentes, estados e pessoas. Precisamos sermos um só”, ressaltou Andréia, representando o Comando Nacional dos Bancários.

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O primeiro debate foi sobre conjuntura política e econômica e os desafios enfrentados pelo Brasil, com ataques à soberania, as altas taxas de juros impostos pelo Banco Central e orquestrado pelo sistema financeiro. Foram abordadas também as mudanças legislativas, os processos de terceirização, pejotização e os processos suspensos até a decisão do Tema 1389, que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Foi destacada ainda a necessidade da participação do movimento sindical, como ator social é imprescindível, para pressionar o poder Judiciário nesse sentido.

Tecnologias e impactos no emprego

Na sequência, o encontro contou com a participação de Cátia Uehara, economista e técnica da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) junto ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, que apresentou a palestra “Inteligência Artificial e o Banco Itaú-Unibanco – impactos na Atividade Bancária”.

Cátia analisou as transformações recentes no setor bancário brasileiro, com foco no Itaú Unibanco, impulsionadas pelo avanço tecnológico e pela inteligência artificial (IA). O estudo mostrou o crescimento acelerado das transações digitais, o investimento massivo em tecnologia e a consequente mudança no perfil do emprego, com destaque para o aumento expressivo das ocupações em TI e a redução dos postos de trabalho bancários tradicionais.

Saúde e condições de trabalho

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No período da tarde, o encontro contou com o Painel Saúde e Condições de Trabalho, conduzido por Mauro Salles, secretário de Saúde da Contraf-CUT. A apresentação trouxe à tona dados preocupantes sobre as práticas de gestão do Itaú-Unibanco, que configuram um verdadeiro “mecanismo adoecedor”, marcado por vigilância excessiva, cobrança abusiva e impactos diretos na saúde mental e física dos bancários.

Entre os principais fatores apontados estão: metas inatingíveis, avaliações injustas, estímulo ao individualismo, reestruturações constantes, jornadas estendidas, assédio moral e monitoramento digital invasivo. Segundo Mauro, o uso de algoritmos e ferramentas de controle cria um ambiente de pressão contínua e mal-estar generalizado.

Foram debatidos também os principais problemas que o Grupo de Trabalho (GT) de Saúde tem discutido, como o retorno da Junta Médica e as reuniões para melhoramento do fluxo. Foi informado ainda que esta temática agora só será discutida pelo Comando Nacional, devido aos abusos continuam ocorrendo. Os membros do GT Saúde também relataram os avanços alcançados junto ao banco, como obrigar a entrega do ASO original sempre que exigido pelo bancário e a entrega do prontuário médico sem necessidade de reconhecimento de firma, como queria o Itaú. Foi denunciado também as sucessivas convocações de ASO, que o banco tem feito em curtíssimo prazo, com o intuito de revisar e retirar restrições do exame anterior. Além disso, o GT de Saúde conseguiu barrar a convocação dos afastados para realização de consulta médica on-line, um verdadeiro absurdo que o Itaú tentou implantar para trabalhadores que estavam com seus contratos suspensos. A conduta dos médicos dessas consultas também foi denunciada, pois muitos bancários relataram que foram feitas perguntas invasivas referentes à vida privada.

Pauta de reivindicações

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Antes de encerrar, os participantes também debateram a pauta de reivindicações específicas, que deverá orientar as próximas mesas de negociação e integrar futuros instrumentos coletivos a serem firmados entre as entidades sindicais e o Itaú-Unibanco. A pauta aborda pontos como defesa do emprego; benefícios e remuneração; saúde e condições de trabalho; diversidade e segurança bancária.

Para a coordenadora da COE Itaú na Bahia e Sergipe, Luciana Dória, o encontro foi super produtivo, onde foi possível trocar experiências com diversas federações de todo o Brasil. “Vários problemas foram apresentados, com relação ao adoecimento bancário e a forma como o banco vem conduzindo as políticas de saúde. Falamos também sobre o assédio moral, o assédio sexual, com a participação de especialistas da área. Além disso, também falamos sobre o fechamento de agências, colocamos a questão da responsabilidade social do banco e, além de tudo isso, colocamos também a questão do plano dos aposentados, que precisa de uma solução urgente em função de tudo que vem ocorrendo”, ressaltou

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“ Também aprovamos um documento, com a contribuição de todas as federações, com encaminhamentos que serão apresentados ao banco e esperamos agora que ele nos traga soluções efetivas para essa situação. Foi colocado também a necessidade de mantermos o nosso movimento sempre unido e a nossa pauta seja sempre unificada, com a construção de todos, para que a nossa força coletiva se torne cada vez maior. Só dessa forma conseguiremos manter os nossos direitos e impedir as condutas equivocadas que vêm ocorrendo”, acrescentou Luciana Dória que é diretora da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe.