O sistema financeiro brasileiro continua registrando lucros bilionários ano após ano. Enquanto os bancos mantêm ganhos expressivos, milhares de postos de trabalho são eliminados, agências são fechadas e cresce a sobrecarga sobre os trabalhadores da categoria.
“Redução de lucro não significa que o banco não lucrou. Quer dizer apenas que lucrou menos, mas continua lucrando”, afirmou a economista e supervisora regional do Dieese na Bahia, Ana Georgina Dias, durante a apresentação do balanço do setor na 28ª Conferência dos Bancários da Bahia e Sergipe, realizada neste sábado (30/5).
Os números apresentados demonstram a força do setor. Em 2025, os cinco maiores bancos do país – Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa – somaram lucro de R$ 123,8 bilhões, uma redução média de apenas 1,9% em relação ao ano anterior. Já no primeiro trimestre de 2026, a lucratividade alcançou R$ 29,8 bilhões, resultado 11,1% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Outro dado destacado por Ana Georgina foi a arrecadação com tarifas e prestação de serviços. Os bancos obtiveram R$ 165,3 bilhões com essas receitas, valor praticamente estável em comparação aos 12 meses anteriores.
Em contrapartida, o processo de enxugamento da estrutura física e do quadro funcional continua avançando. Apenas em 2025, foram fechadas 1.345 agências bancárias em todo o país. Nos três primeiros meses de 2026, outras 429 unidades encerraram as atividades, reduzindo para 10.740 o número total de agências em funcionamento no país.

A redução do emprego bancário também chama atenção. Entre 2013 e 2025, o setor eliminou 98.435 postos de trabalho, o equivalente a quase 100 mil vagas. Segundo a economista, os impactos dessa política vão além dos trabalhadores.
O fechamento de agências e a diminuição do atendimento presencial afetam principalmente idosos e pessoas de baixa renda, que enfrentam mais dificuldades para acessar serviços financeiros e ficam mais vulneráveis a golpes e fraudes em ambientes digitais. Ao mesmo tempo, os bancos intensificam a migração dos clientes para canais eletrônicos, como aplicativos e caixas de autoatendimento.
“É importante destacar que a tecnologia tem um papel relevante no aumento da produtividade e dos lucros, mas os trabalhadores e trabalhadoras continuam sendo as peças fundamentais desse processo. O que temos observado é que a redução do quadro de funcionários tem aumentado a carga de trabalho para quem permanece no setor. Essa intensificação do trabalho ajuda a explicar o crescente adoecimento da categoria”, destacou Ana Georgina.
Compuseram a mesa de debates a vice-presidente da Federação da Bahia e Sergipe, Thaise Mascarenhas, a secretária geral do Sindicato da Bahia, Jussara Barbosa, além de Móises Vidal do Sindicato do Extremo Sul, Rosângela Santos, do Sindicato de Sergipe, e Catia Brito do Sindicato de Jacobina.






