GT de Saúde cobra respostas concretas do Itaú

O Grupo de Trabalho (GT) de Saúde dos funcionários do Itaú se reuniu com a direção do banco nesta quarta-feira (8/4), em São Paulo, para dar continuidade às negociações sobre uma série de problemas que vêm sendo denunciados pelos bancários aos sindicatos. A Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe foi representada pela diretora Luciana Dória.

As convocações para exames médicos (Atestado de Saúde Ocupacional – ASO e Avaliação de Capacidade Laboral – ACL), o funcionamento do canal de denúncias e questões relacionadas a descontos em contracheques foram os principais pontos em discussão no encontro.

Os representantes dos bancários denunciaram a continuidade das convocações consideradas indevidas para exames médicos, especialmente de trabalhadores afastados pelo INSS ou que aguardam perícia para prorrogação do benefício. O banco já havia se comprometido a não realizar estas convocações.

De acordo com relatos dos bancários, mesmo quando os empregados informam sua condição por meio dos canais oficiais, como o IU Conecta, as convocações não são canceladas e, em alguns casos, há ameaça ou aplicação de advertências automáticas pelo não comparecimento. Além disso, o GT voltou a denunciar situações em que bancários são convocados para novos exames mesmo após avaliação recente ou quando ainda não tiveram retorno da perícia, evidenciando falhas no processo e desrespeito à condição de saúde dos trabalhadores.

Os representantes dos trabalhadores cobraram do Itaú mudanças efetivas nos protocolos internos para evitar estas convocações indevidas.

Canal de denúncias

Outro ponto importante da reunião foi o funcionamento do canal de denúncias do banco (Ombudsman). O GT voltou a cobrar melhorias no fluxo de apuração, garantia de sigilo, proteção ao denunciante e maior agilidade nas respostas, especialmente em casos de assédio moral e sexual.

O responsável pelo serviço não pôde comparecer à reunião. O banco apresentou como funciona o Ombudsman e também o canal de atendimento às mulheres vítimas de violência, que no Itaú é feito através do “Programa Fique OK”. Segundo o banco, houve 724 atendimentos em 2025. No primeiro trimestre de 2026 foram 166 atendimentos. O banco explicou, ainda que não significa que este seja o total de pessoal atendidas, pois tratam-se se atendimentos, podendo ser vários atendimentos de uma mesma pessoa.

Os representantes dos trabalhadores também reforçaram a necessidade de transparência no funcionamento do Ombudsman e cobraram a apresentação de dados sobre o canal específico para denúncias de violência contra a mulher. O banco ficou de trazer na próxima reunião a quantidade de pessoas atendidas.

Descontos e inconsistências na folha

A reunião também tratou de problemas relacionados a descontos em contracheques durante o período de afastamento, especialmente em casos de antecipações salariais debitadas antes mesmo do recebimento do benefício do INSS, o que pode gerar endividamento dos trabalhadores.

Movimento sindical cobra soluções concretas

Os representantes dos bancários reforçaram que os problemas apresentados não são pontuais, e sim recorrentes, e que o banco precisa apresentar soluções concretas e cumprir os compromissos já assumidos em reuniões anteriores. É fundamental que o Itaú adote uma postura mais responsável e humanizada na gestão da saúde dos trabalhadores, garantindo respeito aos afastamentos médicos, transparência nos processos e proteção efetiva contra práticas abusivas. 

As negociações vão continuar, com o acompanhamento das entidades sindicais, até que haja avanços efetivos nas demandas apresentadas pelos bancários.

Na avaliação da diretora da Feebbase, Luciana Dória, a reunião foi positiva, pois o banco ficou de apresentar soluções concretas para as denúncias que vem sendo feitas sobre as convocações de ASO indevidas. “É inadmissível exigir o comparecimento de trabalhadores adoecidos, com contratos suspensos, sob ameaça de advertência como vem sendo feito pelo banco Itaú, sobretudo quando se trata de um público de funcionários com maior vulnerabilidade, é preciso que haja um tratamento humanizado, principalmente na aplicação de advertência, muitas vezes indevidas”.

“Há um descompasso entre os prazos do IU Conecta e as convocações, que precisam ser ajustados com urgência. Entendemos que esse é o principal motivo dos problemas que vem ocorrendo. Solicitamos prazo para essas respostas e a imediata revisão dos procedimentos, em conformidade com a legislação vigente”, acrescentou Luciana, que integra o GT Saúde e a COE Itaú.

Campanha de vacinação

O banco informou que a campanha de vacinação contra a gripe (H1N1) está prevista para ser iniciada no dia 27 de abril, mas que mandará em breve o calendário com as datas de vacinação em cada base.