
As entidades representativas dos bancários voltaram a denunciar o Itaú por práticas que prejudicam a saúde de seus funcionários. Segundo relatos dos sindicatos, o banco vem sistematicamente adotando medidas para dificultar o afastamento de trabalhadores em tratamento médico.
Após uma série de reuniões com o banco, nas quais foram apresentadas provas consistentes das irregularidades, não houve retorno por parte da empresa.
Diante da gravidade da situação, a Contraf-CUT enviou ofício ao Itaú solicitando a suspensão imediata das convocações relacionadas à ACL (Avaliação de capacidade laboral) e a realização de exames fora dos prazos previstos em lei. Até o momento, o banco não se posicionou.
Desrespeito
Nos últimos meses, sindicatos de todo o país têm recebido muitas denúncias de trabalhadores adoecidos que estão sendo convocados sucessivas vezes para exames médicos presenciais e remotos sob ameaça de advertência, inclusive enquanto ainda aguardam decisão do INSS. Além disso, há denúncias mais graves que relatam impugnação de prazos e suspensão de atestados emitidos pelos médicos dos trabalhadores, essa conduta está dificultando e inviabilizando o acesso ao afastamento previdenciário.
Para a diretora da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feebbase) Luciana Dória, tais práticas, além de desumanas, afrontam as normas de saúde e segurança do trabalho, bem como a legislação trabalhista e previdenciária vigente. “Em um momento em que tanto se fala sobre saúde mental e diante da iminente entrada em vigor das mudanças na NR-1, norma que obriga as empresas a gerenciar os riscos psicossociais, é inadmissível que o Itaú insista em seguir na contramão dessas diretrizes. A adoção de práticas sistematizadas e advertências automáticas aos que não comparecem à essas convocações, agravam ainda mais a situação que pode, inclusive, vir a ser configurada como um assédio organizacional”.
“Já tivemos várias reuniões sobre o assunto, mas infelizmente o banco segue sem fazer os ajustes necessários. O limite da aceitabilidade foi ultrapassado, não podemos tolerar que os trabalhadores sigam sendo prejudicados, justamente quando mais precisam cuidar da sua saúde, na maioria das vezes, prejudicada pelo próprio ambiente de trabalho. Isso é inaceitável!”, ressaltou Luciana, que integra a Comissão de Organização dos Empregados (COE) e o GT Saúde Itaú.
O movimento sindical orienta que os bancários denunciem ao seu sindicato qualquer tipo de irregularidade no momento do afastamento médico. Cuidar da saúde é um direito do trabalhador, que nenhuma empresa pode negar.






